Triscar: um verbo comum no imaginário nordestino. Foi dessa brincadeira que surgiu o Trisca Festival – um festival de arte feito por crianças e para crianças. Nos dias 14, 15 e 16 de dezembro a Biblioteca Cromwell de Carvalho vai se transformar em um grande laboratório com jardim sensorial, intervenções, brincadeiras, exposições e experiências para viver com crianças.

A iniciativa é do @_canteiro_, que cria contextos e estratégias de co-existência, tentando pensar a cidade e sua relação entre artistas e sujeitos. “De alguma maneira o festival tem a intenção de começar a ativar em Teresina a ideia de uma programação cultural para crianças, costurando pessoas que estão trabalhando nesse segmento”, destaca Layane Holanda, artista  e produtora cultural à frente da realização junto com Soraya Portela. 

Já em sua primeira edição, há dois anos, o Trisca trouxe várias provocações: que contextos, além da escola e família, estamos criando para formar os sujeitos que atuarão no mundo e no futuro? Que entendimento de criança estamos praticando? Como articular espaços de encontro, afeto e noções de coletividade em uma geração cada vez mais seduzida pela existência individual de selfs, cliques, telas e universos digitais?

“Esse ano a ideia é fazer uma programação não para criança, o foco é um festival com criança e feito por crianças”, explica Soraya Portela, enfatizando as preposições. Não à toa foram chamadas curadoras do tamanho do evento: Laura (7),Theodora (11) e Beatrx Matoz (13).

“A gente escolheu a ideia da criança como protagonista como um primeiro passo: olhar para elas e escutar o que elas têm a dizer, o que estão pensando do mundo agora”, define a produtora.

O festival começa na tarde de sexta-feira (14) com jardim sensorial – exposição aberta à visitação, na nave da biblioteca. Há ainda uma ação de leituras públicas (“Você tem um minutinho para a palavra?”, projeto do Festival Panorama RJ que visita o Trisca), exposição coletiva de mini-obras de mini-artistas e uma oficina de som. No cair da tarde, o espaço da biblioteca vai se transformar num verdadeiro quintal de brincadeiras de chão: é hora do campeonato de petecas e triângulo, e vale envolver pai, mãe, avô e todo mundo que já brincou disso! A sexta-feira, primeiro dia do Festival,  encerra com o espetáculo Cirandar, do Balé da Cidade.

No sábado e domingo a programação segue com uma conversa pública na nave da biblioteca e oficinas multidisciplinares, além de um espetáculo-laboratório com Carlinha Senna “Abá bonecas de nó e Orixás“ onde durante a apresentação as crianças vão construir bonecas de nó em tecido e se aproximar da cosmologia africana. Toda programação é sujeita a lotação de público – é importante fazer a inscrição prévia do(a) participante através da internet e garantir ingresso. O encerramento da edição 2018 do Trisca é na Potycabana, com o Rali Rala Canela, começando às 17h. “É um passeio de bike coreografado e conduzido pela Chandelly Kidman – ele pode tanto ser vivido como assistido, é um ato, uma passeata colorida e barulhenta, afirmando a presença da criança nos espaços públicos”, explica Layane . “A ideia é infiltrar a discussão sobre  papéis femininos e masculinos de um jeito leve porque há um grande tabu em torno disso: que infância é essa que segrega brincadeiras de menina e meninos? Criança pode brincar junto, bicicleta, pipa, bola, subir na árvore, se fantasiar, construir foguete, fazer comidinha são maneiras de ativar desde cedo o que uma menina pode ou não pode fazer na vida adulta”, provoca. 

Em três dias de atividades, o Trisca provoca o nosso olhar para repensar as formas de produzir arte para criança, para reinventar modelos e encontrar ligações entre o teatro, dança, música, imagem e a cultura popular. “São experiências que qualquer pessoa pode viver com crianças”, diz Holanda. “E, para quem é adulto, é a chance de se aproximar do universo da infância, tem muitas outras coisas além de fadas e super-heróis”.

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