Impacto dos jogos eletrônicos na formação dos jovens é alvo de discussão na Câmara

Em audiência, foram apontadas relações entre comportamentos incomuns e o uso destes jogos por crianças e adolescentes.

Os deputados que formam a Comissão de Educação na Câmara Federal, em Brasília, realizaram uma audiência pública tratando do impacto dos jogos eletrônicos considerados violentos entre os jovens. Para o líder da bancada piauiense, deputado Átila Lira (PSB-PI), este é um debate que merece atenção, pois os jogos podem afetar a formação das crianças e adolescentes.

O tema está em pauta na Câmara desde abril, quando o deputado federal Júnior Bozzella (PSL-SP), através do projeto de lei 1.577/19, pedia a criminalização do desenvolvimento, importação, venda, cessão, empréstimo, disponibilização ou o aluguel deste conteúdo, alegando na época que o uso pode incitar a violência entre os jovens. 

Para debater o tema, a audiência teve como convidados o Diretor de Promoção e Fortalecimento dos Direitos da Criança e Adolescente do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Washington Sá, a psicóloga Rafaella Holanda e o fisioterapeuta Renato de Paulo.

O deputado Átila Lira mostrou preocupação com o tema. Para ele, por mais atrativo que sejam estes jogos, os jovens devem se preocupar com o conteúdo que estão consumindo, pois isso pode afetar o psicológico deles. “Essa é uma preocupação da sociedade de maneira geral. Esses jogos eletrônicos são muito violentos às vezes, mesmo assim, fascina a juventude. Se não houver uma disciplina, isso pode prejudicar a formação destes jovens que vão caminhando para a adolescência e para a fase adulta”, pontua o deputado.

Washington Sá usou sua pesquisa para comentar a relação entre os jovens e o uso destes jogos, que podem levar a comportamentos incomuns e até violentos. “Fiz uma pesquisa com centenas de crianças e percebi problemas incomuns relatados por pais, cuidadores e professores de crianças que tinham o convívio social distintos. Essas crianças tinham em comum o comportamento violento, exacerbado, semelhante ao que elas viam nos jogos que consumiam”, declara Washington.

Para a psicóloga Rafaella Holanda, o uso dos jogos podem esconder outros problemas dos jovens, sendo uma alternativa de isolamento da realidade. “Muitos jovens com conflitos familiares, baixo rendimento escolar, vítimas de bulling e de isolamento entre os demais colegas acabam buscando esses jogos com finalidade de fuga da realidade que vivem”, afirma Rafaella.

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