Comerciantes da Rua Firmino Pires estão vivendo dias de desespero e apreensão. A briga começou em 2012, quando o proprietário dos pontos comerciais ali instalados obrigou os comerciantes a reformarem seus empreendimentos. A despesa avaliada para cada inquilino foi de 50 mil reais em média.  Após 3 meses do investimento nas reformas, os comerciantes foram surpreendidos com uma correspondência enviada pelo inventariante do proprietário tratando da venda do imóvel pelo valor de 5 milhões de reais e dando direito de preferência aos atuais inquilinos. A notícia da venda causou estranheza, já que o proprietário dos imóveis havia exigido reforma para valorização dos pontos.

Para completar o desespero, os comerciantes descobriram que os pontos comerciais eram, na verdade, dois terrenos, sem averbação de lojas e que em setembro de 2013, o terreno havia sido vendido para outra pessoa por uma quantia de 4.200,000,00 (quatro milhões e duzentos mil reais).

Temendo que o pior acontecesse, os comerciantes buscaram a justiça para requerer o direito de compra do imóvel, já que os mesmos responderam a carta de preferência aceitando todas as condições exigidas. Não sabendo eles que ali seria o início de um pesadelo que se perdura até hoje e que, mesmo em meio a injustiça, eles buscam com todas as forças o direito de comprarem os imóveis que tiram seu ganham pão mês a mês.

O Juiz de primeiro grau, da Décima Vara Cível da Comarca de Teresina,  Dr. Edson  Alves da Silva, julgou totalmente procedente o pedido dos comerciantes, porém, em segunda instância, a sentença foi reformada pelos desembargadores José James, José de Ribamar Oliveira e Luiz Gonzaga Brandão, que deram direito de compra a terceiros e invalidando o documento assinado pelos comerciantes, que dava direito de preferência pela compra do imóvel.

Segundo o comerciante, Raimundo Mourão, a situação é deprimente, injusta e desesperadora, uma vez que o mesmo tem o seu comércio há 40 anos. “Cada dia a justiça brasileira nos decepciona mais. Não foi julgado corretamente, nós fomos enganados, investimos, lutamos por 40 anos e agora estamos prestes a ser expulsos como cachorros. Nosso dinheiro não vale? Não queremos de graça. Queremos pagar, queremos comprar, com nosso dinheiro limpo. E ainda assim, não podemos. É revoltante!”, fala.

O comerciante Marcos Suel Alves, ao sair desolado da audiência, frisou que nunca imaginou que um dia passaria por isso. “A minha loja foi do meu avô, em seguida do meu pai e hoje eu tomo de conta. Minha família tem uma história aqui, temos esse empreendimento há mais de 60 anos, a vida do meu avô era zelar por isso aqui.  Onde ele estiver, estará muito triste, vendo que todos os seus esforços foram roubados por uma justiça que não é justa”, lamenta.

“Nós não queremos nada mais que comprar e pagar por esse espaço que durante todo esse tempo foi honrado por nós, comerciantes. São muitas famílias que não sabem o que fazer nesse momento”, finaliza o comerciante Marcos Suel.

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