*Por Silvina Rodrigues de Oliveira*

Nos tempos modernos em que vivemos, proximidade não se remete a curtas distancias estabelecidas por espaços geográficos, mas sim a afetividade. A tecnologia está no meio dos relacionamentos provocando distâncias que muitas vezes são imperceptíveis a forma de nos relacionarmos, interfere em nossa forma de viver e de existir, de ser no mundo e para o mundo como disse o filosofo Martin Heidegger. É inevitável que este estilo de vida domina a nossa forma de viver e também de nos adoecer. Temos ouvido falar por diversos dias seguidos sobre o aumento significativo do índice de suicídio, dos transtornos mentais, das fobias. Quem não tem um familiar amigo que esteja ou já esteve em um quadro depressivo ou com ataques   de pânico?

O medo e a ansiedade fazem parte da nossa fisiologia e do nosso desenvolvimento como seres humanos, mas ao passo que essas características naturais se transformam em dor e sofrimento é o momento de buscar ajuda. Vivemos um contexto padecedor em que as mídias sociais nos sufocam e nos solicitam sutilmente a estar “bem vestidos”, mas esse está bem vestido é pouco, é necessário está na moda. Essa necessidade iminente de estarmos envolvidos no desenvolvimento dessa massa social, acomete por inúmeras vezes a nossa saúde mental.

A chamada Depressão existencial está relacionada aos questionamentos que uma pessoa faz sobre seus planos de vida, projetos de vida e propósito para a sua vida. Falar de Depressão com a maioria das pessoas é interessante pois a maioria se referem a diferentes tipos com base em seus conhecimentos populares.

A Depressão existencial estar mais caracterizada por um estado de desesperança em que nada parece ter sentido. Os relatos   mais frequentes sobre este tipo de depressão foi verificado em crianças e adultos com Inteligência superior os chamados superdotados. A inteligência superior lhes permite vivenciar o mundo de maneira diferente dos que não possuem as mesmas quantificações intelectuais, conseguem ver o mundo e as pessoas por prismas completamente diferentes dos demais.

Mas uma dessas causas possíveis começa com o questionamento da própria existência por isso o nome de Depressão existencial, a pessoa começa a questionar coisas que antes faziam um enorme sentido para sua vida ou seja eram o combustível que lhes movia e agora passaram a ser motivos de questionamentos, a vida entra nessa questão, a morte ou significado da própria vida e ao se questionar tanto começa-se a adentrar na depressão, que cientificamente trata-se de um rebaixamento no humor.

Jean- Paul Sartre filosofo e escritor francês da corrente existencialista em sua mais famosa obra "O Ser e o Nada", destaca que nós os seres humanos somos levados a uma auto significação de nossas vidas não por um tipo específico de divindade ou deus, ou por uma ordem de alguém a nossa volta, mas internamente, através de nossas próprias escolha e objetivos de vida. Ele também cita que nós somos completamente livres, e, portanto, completamente responsáveis por nossa felicidade ou destruição.

Cabe a cada ser criar e recriar o significado que impulsiona ao sua vida, quer seja através da realização de pequenos sonhos, trabalho, passatempos, caridade, religião, família, relacionamentos, enfim existe uma infinidade de coisas para o homem de fato existir, pois as crises existenciais serão sempre iminentes para se repensar sobre algumas posições e situações a qual estamos vivendo, a depressão não é o fim, mas um gatilho que foi acionado para dizer que algo não está bem, e um posicionamento precisa ser tomado. Por isso a importância de ressaltar a psicoterapia, todos nós possuímos questionamentos, e algumas questões a serem trabalhadas, questões essas que muitas vezes remetem a uma profunda melancolia existencial causando dor e sofrimento, o gatilho foi acionado, é hora de buscar ajuda. Qual o sentido da vida? Lembre-se sempre é o que você projetou e programou para ela.

*Silvina Rodrigues de Oliveira, estudante de Psicologia,Faculdade   UNINASSAU*

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