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Náutico diz que pode quebrar de vez por dívida com o Palmeiras e tenta se salvar na Justiça

Clube pernambucano alega na Justiça que não tem como honrar suas dívidas, já que corre o risco de encerrar suas atividades

O Náutico, clube fundado em 1901, dono de 21 títulos do Campeonato Pernambucano, vice-campeão brasileiro de 1967 e um dos mais tradicionais times do Nordeste, vive o período mais difícil de sua história.

Devendo mais de R$ 155 milhões, o clube vive situação financeira calamitosa. Prova disso é que o clube alega na Justiça que não tem como honrar suas dívidas, já que corre o risco de encerrar suas atividades.

Náutico disputará a Série C em 2018 (Foto: Reprodução)

A prova mais recente disso é uma ação que correu na 33ª Vara Cível de São Paulo, à qual a reportagem teve acesso.

Ela diz respeito a uma dívida de R$ 333.384,29 que o "Timbu" foi condenado a pagar ao Palmeiras por 10 parcelas não quitadas do empréstimo do atacante Patrick Vieira à equipe do Recife, em 2015 - esse processo foi mostrado pela ESPN no dia 14 de fevereiro.

Em ação que ingressou no TJ-SP (Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo) na semana passada, porém, o Náutico disse não ter qualquer condição de saldar essa dívida, e pediu que o juiz Sérgio da Costa Leite, responsável por julgar o caso, adiasse a execução do pagamento.

A agremiação chegou a pedir inclusive a "concessão integral do benefício da justiça gratuita", já que alegou não conseguir arcar nem mesmo com as custas processuais.

Patrick Vieira foi emprestado pelo Palmeiras ao Náutico em 2015 (Foto: Agência Palmeiras)

"Como é de conhecimento geral, a Embargante [Náutico] enfrenta atualmente grave crise financeira, estando impossibilitada de arcar com eventuais custas processuais e honorários de sucumbência deste processo. Inclusive, o Clube Executado sequer consegue adimplir com suas obrigações contratuais, estando em mora com os seus funcionários, fornecedores e perante o Fisco, não podendo onerar-se ainda mais com despesas oriundas desta lide", escreveu o advogado do time alvirrubro.

Na ação, os representantes do Náutico ainda lembraram que a equipe caiu no ano passado para a Série C do Campeonato Brasileiro, e que, caso fosse mesmo condenada a pagar a dívida, corria o risco de ter que demitir todos os seus funcionários e até mesmo fechar as portas.

"Sendo assim, declara a Embargante [...] que não possui condições, neste momento, de arcar com as custas deste processo sem prejuízo do regular desenvolvimento de suas atividades", ressaltou o advogado.

"[...] O clube não possui quantitativo em caixa suficiente para suprir uma futura condenação nos termos expostos na inicial sem que isso enseje grave dano a continuidade de sua atividade esportiva. [...] A não concessão do efeito suspensivo à execução poderá ocasionar grave dano ao Clube embargante, o qual mal possui condições para arcar com as despesas com seu quadro de funcionários, podendo gerar danos irreparáveis, ocasionando inclusive, demissão de funcionários, perda de parcelamentos fiscais, atraso no pagamento de sua folha de pessoal, etc", acrescentou.

A estratégia usada pela defesa do "Timbu", foi, portanto, questionar a dívida cobrada pelo "Verdão".

Segundo o clube do Recife, o Palmeiras não utilizou o IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado) para chegar ao valor atualizado de R$ 333.384,29, que é o montante que o Náutico foi condenado a pagar.

Por isso, a equipe alvirrubra alegou que houve excesso de R$ 6.900,10 no cálculo dos palmeirenses, e que a quantia devida pelo empréstimo de Patrick Vieira na verdade era de R$ 326.484,19.

Logo, o Náutico pediu que a ordem de execução da dívida fosse suspensa pela Justiça até o julgamento desta nova causa.

"Requer o Embargante:

1. Preliminarmente:
a) A concessão integral do benefício da justiça gratuita, nos termos do art. 98 e segs. do CPC/2015;
b) A Concessão do efeito suspensivo inaudita altera parte ao feito executivo n° 1009306-40.2018.8.26.0100 até o julgamento do mérito destes Embargos, haja vista a presença dos requisitos ensejadores a tutela provisória, nos termos do parágrafo primeiro do artigo 919 do NCPC;

2. O julgamento procedente destes embargos:
a) Reconhecendo o excesso de execução, determinando como devido apenas o montante de R$ 326.484,19 (trezentos e vinte e seis mil, quatrocentos e oitenta e quatro reais e dezenove centavos)", requisitaram os advogados.

O Palmeiras informou que não comenta questões judiciais.

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