Futebol, Futsal, Fut7 e... bolo de pote: a saga de um esportista no Piauí

Atleta do futebol profissional piauiense com 23 anos, Breno Jardiel fala sobre lições de vida, sobrevivência no esporte e sonhos dentro do futebol.

Por: Raisa Magalhães

O futebol piauiense é repleto de talentos. O estado possui atletas que esbanjam, sobretudo, dedicação, força de vontade e amor pelo esporte. A realidade dos piauienses, no entanto, alerta para um cenário conflituoso, onde, muitas vezes, não há apoio financeiro suficiente para esses atletas.

Em meio a esse cenário, muitos deles precisam buscar alternativas de sobrevivência, seja dentro do esporte, seja fora dele. Um exemplo disso é o jogador de futebol/futsal/fut7, Breno Jardiel, de 23 anos. Para sobreviver, ele participa de competições amadoras em todo o estado e ganha quantias em torno de R$ 200 ou R$ 300 por partida, dependendo do jogo.

Breno à direita, em partida pelo Piauí, time piauiense de futebol. (Foto: Arquivo Pessoal / Breno Jardiel)

Breno comporta a estatística de atletas que utilizam o próprio esporte como renda extra. Em 2019, ele assinou contratos oficiais com o JES/Círculo Militar, time de futsal piauiense, e com o Piauí, clube de futebol piauiense. No entanto, com calendário curtos desses times, a possibilidade de ganhar dinheiro com partidas não-oficiais foi a saída que ele encontrou para se sustentar dentro do futebol.

“Eu jogo profissionalmente há três anos, mas não é o suficiente para me manter, sempre procuro fazer jogos extras”, conta o Breno.

O jogador conta que desde criança acompanhava jogos de futebol. Houve um período que até trabalhou como gandula em algumas partidas. Ao acompanhar os jogos, ele começou a notar que alguns jogadores recebiam dinheiro no final das partidas. Em um jogo amador que participou, aos 15 anos, Breno teve uma ótima atuação e, ao terminar o jogo, pela primeira vez recebeu dinheiro pelo desempenho. “Eu nem tava esperando”, lembra o atleta.Breno Jardiel atuando pelo JES, time de futsal do Piauí (Foto: Arquivo Pessoal / Breno Jardiel)

Com 17 anos, Breno começou a ganhar dinheiro em todas as partidas que participava. Sempre que é chamado para participar de alguma competição, começa a preparação bem antes. Ele conta que possui certo receio em participar de tantas competições, pelo medo de ser lesionado e não poder mais jogar.

“Desgasta muito, às vezes a gente se machuca, já fiquei sem jogar algum tempo”, diz o jogador ao lembrar das dificuldades em ter o esporte como profissão no Piauí.

O atleta se entristece ao falar da realidade do futebol piauiense e critica a falta de investimentos no esporte. “Não valorizam os jogadores daqui, é nítido, todo mundo sabe.  A gente tem que optar por outros meios para sobreviver”, lamenta.

Breno não recorre ao discurso de praxe de garotos que estão começando no futebol como “jogar fora do país” ou “vestir a camisa da seleção brasileira”, ao ser questionado sobre seu sonho no esporte. Com grande otimismo, ele responde de maneira diferente: “Meu maior sonho é ver o estado valorizar os jogadores locais. Que eles possam viver bem fazendo aquilo que gostam”, completou.

Breno comemora título de Futsal em torneio de Campo Maior, no interior do Piauí (Foto: Arquivo Pessoal / Breno Jardiel)

Atualmente, o jogador mora com a esposa e a filha, no Bairro Dirceu, na zona Sudeste de Teresina. Buscando complementar mais a renda e temendo sofrer alguma lesão e não ter mais como ganhar dinheiro, Breno desenvolveu outra estratégia para complementar ganhar dinheiro: a produção de bolos de pote.

Ele se divide com a esposa na produção e vende em casa mesmo. “Eu sempre invento alguma coisa. Já tive uma hamburgueria, uma loja de roupas. Comecei a pouco tempo a fazer os bolos, já que os jogos nem sempre aparecem ou nem sempre estou em condições boas para jogar. Por isso quando não estou treinando ou jogando estou com a mão na massa fazendo esses bolos”, conta.

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