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Conheça Didi, o brasileiro de 19 anos que foi escolhido para jogar na NBA

Garoto jogava em projeto social no interior do Espírito Santo até se mudar para Franca aos 15, colecionar convocações para seleções de base e ser draftado pelos Pelicans

Didi sempre foi um moleque alto, esguio. Se destacava entre os demais da mesma idade. Terra do Rei Roberto Carlos e do genial cronista Rubem Braga, Cachoeiro de Itapemirim também trouxe ao mundo Marcos Henrique Louzada... Silva. Mais um brasileiro que ousou sonhar. E que na noite da última quinta-feira atingiu mais um objetivo da carreira ao aparecer entre os 60 nomes escolhidos na noite do Draft da NBA, na Barclay Center, em Nova York. Na noite que consagrou Zion Williamson como a primeira escolha, o New Orleans Pelicans também abriu as portas para o capixaba.

Com 1,95m e 85kg, Didi, 19 anos (completa 20 em 2 de julho) não começou a carreira no basquete. Passou primeiro pelo futsal. Jogava ao lado do irmão João Pedro. Mas, aos dez anos, fez sua primeira escolha. Deixou de lado a bola pequena e migrou para a laranja. E não parou de se desenvolver. Jogando pelo projeto social da Liga Urbana de Basquete (Lusb), ainda em Cachoeiro de Itapemirim, chamou a atenção do Franca, gigante do interior do Brasil.

"É único. Difícil falar o que estou sentindo, é algo diferente, que nunca senti antes... Minha família sempre foi muito presente e importante na minha vida. Quero dedicar esse momento em especial à minha mãe e à minha avó, Tereza, porque elas me deram todo o suporte, me apoiaram, batalharam para que eu tivesse condições de sonhar e lutar por isso", disse Didi por meio da assessoria.

Aos 15 anos, Didi foi convocado para a seleção brasileira e então seu agente, Arlem Lima, o ajudou na mudança do interior do Espírito Santo para Franca. Daí em diante o garoto só decolou. Passou por todas as seleções de base, começou a integrar o elenco profissional do Franca, mesmo que com poucos minutos, e virou um prospecto para a NBA desde que se destacou na Liga de Desenvolvimento da NBA, a LDB.

A liga americana de basquete, inclusive, sempre foi o sonho maior. O espelho estava no mesmo estado. Ainda menino, Didi esbarrou com Anderson Varejão durante a categoria de base. O ilustre conterrâneo brilhava no Cleveland Cavaliers, ao lado de LeBron James. Em entrevistas, vídeos, conversas, repetir esse feito era a meta. Agora, quando o tal "novo LeBron" desembarca na Liga, um outro capixaba, é bem provável, o acompanhará.

Na temporada 2017/18, Didi ganhou minutos no time profissional de Franca. E pela seleção brasileira, já em 2018, foi campeão Sul-Americano no sub-21 comandando o time ao lado de Yago Matheus. E então fez sua segunda transição. Passou para o time titular de Franca na temporada 2018/19. Foi convocado por Aleksandar Petrovic para a seleção principal. E passou a receber cada vez mais visitas de olheiros da NBA, que começaram a colocar seu nome de vez na alça de mira para o Draft de 2019.

Didi, já seguro na seleção principal e com o nome carimbado na Copa do Mundo da China, fez um grande NBB. Chegou até a decisão com Franca e recebeu dois troféus: destaque jovem e jogador com maior evolução. Nos últimos meses, além dos treinos em Franca, o garoto vinha treinando a parte se preparando para a NBA. Começou até curso de inglês. Toda a caminhada foi recompensada na quinta-feira, quando o Atlanta Hawks o selecionou e no acordo de trocas nas picks o fez parar no New Orleans Pelicans.

A 35ª escolha não garante um contrato a Didi como a primeira rodada. Mas a chance de ficar no elenco principal é grande. Ele vai jogar a Summer League, de 5 a 15 de julho, em Las Vegas. Lá, será observado ainda mais de perto. Se a NBA o achar pronto, fica no grupo de 2019/20. Do contrário, pode jogar a Liga de Desenvolvimento ou ser emprestado para a Europa, como o Utah Jazz fez com Raulzinho no passado.

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